COMO ESSE GOVERNO ENXERGA OS POBRES

Por Cristina Serra / Guedes e o ódio aos pobres

As políticas excludentes e de base eugenista da dupla Bolsonaro-Guedes também compõem a causa mortis desses brasileiros

Paulo Guedes não falha. Sempre oferece variações sobre o mesmo tema, qual seja, sua aversão às pessoas pobres. Mas, agora, ele se superou. Disse que as sobras e os excessos dos almoços da classe média e dos restaurantes podem ser utilizados para alimentar mendigos e desamparados.

Ele enunciou tamanho absurdo sem corar, muito à vontade, sabendo que expressa ponto de vista de setor bastante representativo da sociedade brasileira, do qual é porta-voz. É a mesma visão de mundo por trás da famigerada “farinata”, ração feita com produtos próximos da data de vencimento e que o então prefeito João Doria tentou oferecer a famílias carentes.

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GASTANÇA

Por Pensar a História

A crise humanitária no Brasil em 2021 deve ser a maior em décadas. O aumento do desemprego, o fim do auxílio emergencial, a disparada do preço dos alimentos básicos nos supermercados e a pandemia de COVID-19 devem levar o país a uma situação de caos. Estima-se que 10,3 milhões de brasileiros já estejam com dificuldades alimentares – um número que deve dobrar nos próximos meses.

Dezenas de milhões de pessoas serão jogadas na pobreza extrema. No mundo da Barbie verde-oliva, a realidade é outra. Após promover severos cortes nas pastas da saúde e da educação e praticamente desmontar o setor de ciência e tecnologia, o governo Bolsonaro aumentou em 48,8% o orçamento das Forças Armadas. Pela primeira vez na história recente, o governo brasileiro vai gastar mais dinheiro com os militares do que com a educação.

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REFLEXÕES SOBRE AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Por Ilimar Franco

1. As eleições municipais não têm nenhuma relação com as eleições presidenciais.

2. O resultado das eleições municipais, qualquer que seja ele, não permitirá concluir que chegou ao fim a polarização PT/esquerda x Bolsonaro.

3. O MDB elegeu o maior número de prefeitos e vereadores desde o final da década de 80, mas teve candidatos próprios ao Planalto fragorosamente derrotados em 1989 (Ulysses fez menos de 5% dos votos), 1994 (Quércia fez menos de 2%) e 2018 (Meirelles fez menos de 2%). Nas eleições presidenciais de 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014 não teve candidato.

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POR QUE VIVEMOS NA SOCIEDADE DO CANSAÇO?

O filósofo sul-coreano Byung-chul Han

Por Cesar Gaglione /Nexo Jornal

Em 2013, uma pesquisa realizada pelo Ibope demonstrou que 98% dos brasileiros se sentem cansados mental e fisicamente. Os jovens de 20 a 29 anos representam a maior fatia dos exaustos.

A tendência aparece em outros lugares. De acordo com o Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos de 2015, 43% dos trabalhadores do país dormem menos do que o período recomendado pela Fundação Nacional do Sono, ONG americana que promove a conscientização pública da importância do sono e dos distúrbios decorrentes da falta dele.

O filósofo sul-coreano Byung-chul Han se debruçou sobre o tema da exaustão e produziu o ensaio “Sociedade do cansaço”, publicado no Brasil em formato de livro pela editora Vozes. No texto, Han argumenta que cada época possui epidemias próprias, como as doenças bacteriológicas e virais que marcaram o século 20. Para ele, as patologias neurais definem o século 21 – e todas elas surgem a partir de um denominador comum: o excesso de positividade.

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VAMO ACORDÁ, AMIZADE?!

Discutir pronome e banir ‘Mulheres de Atenas’ é mesmo a nossa prioridade?

Por Antonio Prata

Cinco minutos do debate presidencial americano e eu já estava tentando morder os cotovelos. Não por causa das atrocidades ditas pelo Trump, mas por ver pela primeira vez em ação (sic) quem o país mais poderoso do mundo decidiu enviar à linha de frente da luta global contra o fascismo. Esse picolé de chuchu vai nos salvar do Darth Vader?!

Enquanto Trump se apresenta pintado de laranja e com aquele topete metafísico, Biden é cinzento e calvo de sobrancelha. Trump vende vigor. Um vigor atroz. Homicida. Machista. Racista. Ignorante. Mas, mesmo assim, vigor. Biden parece um carro a álcool tentando pegar numa manhã fria de 1984. O debate foi Tony Soprano contra uma mistura de Suplicy e Alckmin na “melhor idade”.

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