POR QUE VIVEMOS NA SOCIEDADE DO CANSAÇO?

O filósofo sul-coreano Byung-chul Han

Por Cesar Gaglione /Nexo Jornal

Em 2013, uma pesquisa realizada pelo Ibope demonstrou que 98% dos brasileiros se sentem cansados mental e fisicamente. Os jovens de 20 a 29 anos representam a maior fatia dos exaustos.

A tendência aparece em outros lugares. De acordo com o Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos de 2015, 43% dos trabalhadores do país dormem menos do que o período recomendado pela Fundação Nacional do Sono, ONG americana que promove a conscientização pública da importância do sono e dos distúrbios decorrentes da falta dele.

O filósofo sul-coreano Byung-chul Han se debruçou sobre o tema da exaustão e produziu o ensaio “Sociedade do cansaço”, publicado no Brasil em formato de livro pela editora Vozes. No texto, Han argumenta que cada época possui epidemias próprias, como as doenças bacteriológicas e virais que marcaram o século 20. Para ele, as patologias neurais definem o século 21 – e todas elas surgem a partir de um denominador comum: o excesso de positividade.

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VAMO ACORDÁ, AMIZADE?!

Discutir pronome e banir ‘Mulheres de Atenas’ é mesmo a nossa prioridade?

Por Antonio Prata

Cinco minutos do debate presidencial americano e eu já estava tentando morder os cotovelos. Não por causa das atrocidades ditas pelo Trump, mas por ver pela primeira vez em ação (sic) quem o país mais poderoso do mundo decidiu enviar à linha de frente da luta global contra o fascismo. Esse picolé de chuchu vai nos salvar do Darth Vader?!

Enquanto Trump se apresenta pintado de laranja e com aquele topete metafísico, Biden é cinzento e calvo de sobrancelha. Trump vende vigor. Um vigor atroz. Homicida. Machista. Racista. Ignorante. Mas, mesmo assim, vigor. Biden parece um carro a álcool tentando pegar numa manhã fria de 1984. O debate foi Tony Soprano contra uma mistura de Suplicy e Alckmin na “melhor idade”.

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COMO NA ITÁLIA, FALTA DE UTI NOS FARÁ ESCOLHER ENTRE QUE VIVE E QUEM MORRE

É dever da sociedade estabeler critérios transparentes durante pandemia de coronavírus, dizem especialistas

Por Daniel Wei Liang Wang/Marcos de Lucca-Silveira / Folha

Explosão do número de pacientes com sintomas graves de Covid-19 torna urgente o debate da distribuição de vagas em UTIs em períodos de catástrofe, de modo a dar legitimidade às complexas decisões sobre quais doentes vão ter prioridade.

Na saúde, há sempre mais necessidades que recursos. Por isso, muitos pacientes não recebem todos os cuidados de que precisam. Um recurso frequentemente racionado são vagas em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

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O QUE PESSOAS NORMAIS ESPERAM DE GOVERNOS. Por Eugênio Aragão

Postado por Blog do Valentin

O que é normal, ou não, está longe de ser um consenso, mas quando se fala em “pessoas normais”, aponta-se para aquelas que querem o que todos querem: recursos para cumprir minimamente com as necessidades suas e de familiares – casa, emprego, saúde, alimentação, educação para si e os filhos, recreação, saneamento para ter acesso a água potável e ambiente sadio e por aí vai. Ninguém precisa ser escandinavo para ter aspiração e direito a esses bens. Pessoas normais querem viver em dignidade.

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ORÇAMENTO FEDERAL 2020 E A CONTINUIDADE DA “FÁBRICA DE MISERÁVEIS”

Postado por Blog do Valentin

Por Maria Cristina Fernandes /Valor Econômico

Os Barões do Orçamento

A verborragia do presidente da República já fez um estrago amazônico na imagem do Brasil no exterior e na sua própria base política. O conjunto da obra, no entanto, não se compara aos danos a serem provocados pela primeira fala concreta de seus planos para o país, o projeto de lei orçamentária. Se no primeiro ano, o presidente cumpre o último orçamento elaborado por seu antecessor, é no segundo que o governo diz a que veio. Aquele enviado ao Congresso no dia 30 é um eloquente mapa do desastre anunciado.

Não porque seja fantasioso. Ao contrário. As variáveis da economia estão alinhadas com as previsões mais moderadas. O desastre se dá pelo fato de o governo inviabilizar o investimento no futuro com o custeio do presente. Não se trata apenas de cruzar o percentual decrescente destinado a investimentos (0,25%), com o volume crescente de despesas obrigatórias. É preciso ver como o Congresso, ao renovar esse desequilíbrio, tem sido premiado pelos serviços prestados

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SOMOS TODOS MARTA?

Por Blog do Valentin

Por Valentin Ferreira

Numa dessas tardes de domingo, estou vendo na TV uma partida de futebol. Chega o neto Thomas, e senta-se ao meu lado. Após um apertado abraço, continuo vendo o jogo. Não passou um minuto, quando ouvi:

-Aqui na sua casa você não desliga a TV para conversar com as visitas?

Meio atordoado pela surpresa da questão, pensei um pouco para responder:

-Olha, você não é visita. Você é da família.

Não satisfeito com a resposta, veio mais uma paulada.

-Acontece que saí de casa porque lá meu pai também estava vendo o jogo. Vim aqui para sair brincar um pouco você, Vô.

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