QUE VERGONHA, EXCELÊNCIAS!

Ainda nem temos vacinas aprovadas e liberadas, e STF e STJ já estavam prontos para furar a fila da imunização

Por Cristina Serra

No Brasil, existem cidadãos comuns, como você, leitor, e eu. E existem castas, como o Judiciário, sustentadas com o dinheiro dos nossos impostos e adubadas com privilégios e mordomias que ofendem o simples bom senso. Ainda nem temos vacinas aprovadas e liberadas e suas excelências do STF e do STJ já estavam prontas para furar a fila da imunização. As duas mais altas cortes enviaram os pedidos à Fundação Oswaldo Cruz, que os rechaçou.

Num momento de emergência sanitária e com autoridades incompetentes no comando da saúde dos brasileiros, as maiores instâncias do Judiciário deveriam ser as primeiras a dar o bom exemplo e aguardar sua vez na escala de prioridades, a ser definida de acordo com critérios científicos e levando-se em conta a vulnerabilidade de grupos mais expostos ao vírus. Mas as cúpulas do Judiciário preferiram se orientar pelo adágio mesquinho: farinha pouca, meu pirão primeiro. O que me lembra também o salve-se quem puder da primeira classe no convés do Titanic.

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SUAS EXCELÊNCIAS E A REFORMA

Por Cristina Serra

A reforma administrativa volta mais uma vez ao debate e a proposta do governo não vai ao que interessa: qual o Estado que precisamos?

A reforma administrativa volta mais uma vez ao debate e a proposta do governo não vai ao que interessa: qual o Estado que precisamos? A quem ele deve servir? Como o Estado deve dar conta de suas responsabilidades em saúde, educação e segurança, ao mesmo tempo em que coíbe distorções e privilégios da elite do setor público?

Por exemplo, como acabar definitivamente com os artifícios que furam o teto constitucional de R$ 39.000,00, valor do salário de ministro do STF? Brasil afora, os próprios tribunais são os primeiros a burlar a lei com uma coleção de artifícios: auxílios, verbas, vantagens, gratificações, adicionais e outras afrontas ao teto, mascaradas pela corrupção do idioma.

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA NÃO MEXE EM PRIVILÉGIOS

Postado por Blog do Valentin

Os ruralistas foram beneficiados pela base bolsonarista na reforma da Previdência, recebendo um benefício tributário que retira R$ 83,9 bilhões da economia esperada de R$ 1,071 trilhão.

“Passava de 2h da madrugada desta sexta-feira, quando os deputados aprovaram requerimento (sugestão de mudança de um ponto específico) apresentado pelo bloco formado pelos partidos PP, MDB e PTB. O texto mantém a isenção da alíquota de 2,6% sobre a comercialização de produção agrícola como contribuição previdenciária, desde que parte seja exportada”, aponta reportagem do jornal Estado de S. Paulo.  “A aprovação por 23 a 19 do destaque significa um recuo de quase R$ 84 bilhões na economia prevista com a reforma da Previdência, que perdeu a marca de R$ 1 trilhão tão perseguida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Agora, em dez anos, a proposta, se aprovada, economiza R$ 987,5 bilhões.
Do 247 
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APOSENTAR-SE AOS 53 E SOLTEIRAS QUE HERDAM PENSÕES… OS ABISMOS DA PREVIDÊNCIA BRASILEIRA

Postado por Blog do ValentinIdade mínima para aposentadoria deve ficar em 65 anos para homens e 62 para mulheres.

Do El País

O sistema previdenciário vigente é insustentável e muito desigual. A reforma debatida pelo Congresso marcará o sucesso ou o fracasso do mandato de Bolsonaro

Quem acha que os sistemas previdenciários são algo distante ou entediante é porque ainda se sente jovem. Ou não conhece o Brasil. Há semanas as famílias, a imprensa e o Congresso debatem como desativar a bomba-relógio que se tornaram os pagamentos das aposentadorias e pensões. Uma questão em que as filhas dos militares são as vilãs favoritas.

Acontece que 110.000 brasileiras desfrutam de uma pensão vitalícia herdada do pai, mesmo tendo um emprego, mas incompatível com ter um marido. Essas mulheres solteiras recebem em média um pagamento mensal de cerca de 6.000 reais em um país onde dois terços de seus compatriotas se aposentam com seis vezes menos: 998 reais, o salário mínimo. Apesar de privilegiadas, elas não são as mais privilegiadas –se esquecermos que não tiveram que trabalhar para desfrutar desse direito.

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PRIVILÉGIOS: JUÍZES QUE RECEBEM ATÉ R$ 250 MIL PAGAM MENOS DE 6% AO INSS

Postado por Blog do Valentin

Levantamento feito pelo Brasil de Fato mostra distorção que não será corrigida pela PEC da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro

Por Juca Guimarães, do Brasil de Fato

Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, apresentada pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), com a justificativa de salvar o equilíbrio da conta da Previdência Social, sacrificando de um lado a contribuição e do outro a aposentadoria de milhões de trabalhadores, deixa na sombra e água fresca juízes, magistrados e membros do Ministério Público que recebem supersalários.

Brasil de Fato teve acesso a 50 contracheques de juízes e desembargadores do estado de Tocantins, referentes ao mês de dezembro de 2018, e analisou os valores brutos, a contribuição previdenciária para o INSS e as gratificações, bonificações e prêmios.

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O QUE É CLASSE SOCIAL? Por Jessé Souza

Postado por Valentin Ferreira

Não se trata de recorte de renda. É, antes de tudo, a reprodução de privilégios.  O privilégio secular continua a ser apresentado como mérito

Por Jessé  Souza /Carta Capital

É comum, inclusive entre gente da esquerda, se falar de classe social como se fosse constituída pelo nível de renda. O problema com os conceitos da ciência é que eles herdam o caráter sagrado dos dogmas religiosos. Pelo seu “carisma” e prestigio, portanto, a ciência é o lugar da manipulação mais perigosa e poderosa sobre um público leigo e indefeso.

Hoje em dia, a “falsa consciência” de uma sociedade é construída em boa parte com meios (pseudo) científicos. Daí que, como artificio retórico, sempre se diga que existem ideias que nos fazem de imbecis. De posse de uma realidade confusa e distorcida, nossa ação no mundo é também confusa, hesitante e manipulável. Ou seja, nos tornamos efetivamente imbecis no sentido prático que todos entendem.

Por que confundir classe social com renda nos faz imbecis? Ora, primeiro porque distorce e inverte o núcleo principal da ideia de classe social.

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