MITO DA CONSPIRAÇÃO MUNDIAL SEMPRE ANDOU JUNTO COM A EXTREMA-DIREITA

Por Demétrio Magnoli / Via Náufrago da Utopia

Na sua reta final, a campanha de Donald Trump à reeleição entrelaça-se ao culto online QAnon. O fenômeno inscreve-se numa longa história e descortina as tendências evolutivas do discurso da extrema-direta, nos EUA e mundo afora.


O QAnon nasceu como narrativa conspiratória singular. Segundo ela, o Partido Democrata estadunidense seria o núcleo de um complô de líderes pedófilos organizadores do sequestro de crianças para escravizá-las a redes de exploração sexual. Sob o comando de figuras como Joe Biden, Hillary Clinton e Barack Obama, operariam Angela Merkel, Emmanuel Macron, Xi Jinping e outros globalistas engajados no negócio diabólico da pedofilia. 

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O MENTIROSO ACREDITA NA PRÓPRIA MENTIRA

Por Bernardo Carvalho

Negacionismo serve tanto para subestimar uma pandemia como para inflamar a histeria antivacina ou culpar indígenas pela devastação da floresta

O negacionismo é a incapacidade de encarar a morte, ao mesmo tempo que a promove. Há diversas maneiras de promover a morte, e negá-la ainda é uma das mais eficientes e perversas, porque supõe a cumplicidade das vítimas.

Serve tanto para subestimar uma pandemia como para inflamar a histeria antivacina ou culpar indígenas pela devastação da floresta, depois de incentivar grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais a invadi-la, e fazendeiros a queimá-la.

O negacionista é um agente da morte, cúmplice ou associado, consciente ou não, incapaz de encarar os fatos. A morte dos outros é a recusa da sua.

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