LEILA SLIMANI: ” QUANTO MAIS VOCÊ PROGRIDE NA HIERARQUIA SOCIAL, MAIS BRANCA VOCÊ PARECE AOS OLHOS DOS BRANCOS”

A escritora Leïla Slimani, retratada em sua casa em Paris em fevereiro.
A escritora Leïla Slimani, retratada em sua casa em Paris em fevereiro. MANUEL BRAUN

Após o sucesso de ‘Canção de Ninar’, a escritora franco-marroquina publica ‘O País dos Outros’, uma saga inspirada na história de seus avós nos tempos coloniais com a que indaga sobre a “a maldição da mestiçagem”

Após ganhar o Prêmio Goncourt com Canção de Ninar, análise sociológica do clássico da babá assassina e fenômeno internacional traduzido a 44 línguas, Leïla Slimani (Rabat, 1981) abre com Le Pays des Autres (O País dos Outros, sem tradução ao português) uma nova trilogia sobre a história de sua família. A protagonista é Mathilde, um personagem inspirado em sua avó, uma jovem alsaciana no Marrocos colonial de 1946. Slimani, que mora na França desde os 17 anos, escreve sobre o drama silencioso que conhece de primeira mão: a condição de ser outro.

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O BRASIL ESTÁ COM ÓDIO DO BRASIL OU KAROL CONKÁ NÃO É ODETE ROITMAN

Karol Conká: rapper foi eliminada do reality global com 99,17% dos votos do público (Foto: Divulgação/ TV Globo)

Por Ivana Bentes

Sempre existiu uma cultura e economia do ódio no Brasil, aliás, faz parte da nossa história dos assujeitamentos, da história da escravidão e da estrutura patriarcal essa construção de inimigos que são desumanizados e demonizados – o que permite odiá-los sem culpa.

Podemos dizer que o ódio virou um modulador de relações em um cenário caótico e incerto, em que rivalidades e disputas de todo tipo se sobrepõem ao que seria uma luta coletiva por direitos.

No Brasil, vivemos uma espantosa ascensão de discursos de ódio contra direitos e conquistas recém adquiridos, como se direitos fossem privilégios reversos. Ódio aos negros “privilegiados” pelas cotas raciais nas universidades, ódio aos pobres “privilegiados” pelo Bolsa Família, ódio às mulheres “privilegiadas” por serem protegidas por lei contra a violência doméstica e familiar, ódio renovado aos grupos LGBTQI+  pela criminalização da LGBTfobia.

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O AVANÇO DA PRESENÇA DE MULHERES E NEGROS NAS CÂMARAS MUNICIPAIS E PREFEITURAS

Fotomontagem de candidatas a vereadora em São Paulo; número de mulheres negras candidatas à Câmara Municipal da capital paulista quase dobrou em 2020 – Rubens cavallari e Ronny Santos/ Folhapress

Da Folha S. Paulo

Apesar do crescimento, o resultado ainda está bem distante de refletir a divisão entre negros e brancos na população brasileira —56% são pretos e pardos— e entre os próprios candidatos lançados —50% foram negros, 48%, brancos.

Já em relação às mulheres, o avanço foi mais tímido no primeiro turno. Elas passaram de 11,7% do contingente de prefeitos eleitos em 2016 para 12,1%.

Um dado significativo, porém, mostra que cresceu de forma mais expressiva a presença tanto de mulheres como de negros nas disputas de segundo turno, ou seja, das maiores e mais importantes cidades do país.

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BRASIL: A CADA 2 HORAS UMA MULHER É ASSASSINADA

Em 2018, 68% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras, segundo o Atlas da Violência 2020, estudo anual produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que ganhou nova edição hoje.

De acordo com o levantamento, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil —foram 4.519 mulheres assassinadas em 2018, um índice de 4,3 a cada 100 mil mulheres que moram no país.

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SILVIO ALMEIDA: “QUEM QUER CIVILIZAR O BRASIL NÃO PODE TEMER O PODER. TEMOS DE NOS LIVRAR DESSA ALMA DE SENHOR DE ESCRAVO”

O jurista Silvio Almeida.CHRISTIAN PARENTE/DIVULGAÇÃO

Advogado e filósofo opina que a alternativa ao bolsonarismo precisa ter a vida como valor. Defende que sentença da juíza que cita “raça” para justificar condenação de réu negro deve ser anulada

Por Felipe Betim / El Pais

Silvio Luiz de Almeida (São Paulo, 1976) é um dos principais pensadores brasileiros da atualidade. Além de filósofo, advogado tributarista e professor universitário, com especializações em Direito Político e Econômico e Teoria Geral do Direito, Almeida estuda as relações raciais no Brasil e publicou, no ano passado, o livro Racismo estrutural (Editora Polén). Em entrevista ao EL PAÍS, opina que o presidente Jair Bolsonaro é um “sintoma da derrota do Brasil”, um país que ficou “apático em torno de 100.000 mortes” pelo novo coronavírus porque “já se acostumou com a morte, principalmente de trabalhadores e de pessoas negras”.

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