O VOTO EVANGÉLICO E O STF

Religião não pode ser critério para ocupação de nenhuma função pública

Por Cristina Serra

Na sessão de abril passado em que o Supremo Tribunal Federal, acertadamente, manteve o fechamento temporário de templos religiosos, o Brasil estava no pior momento da pandemia. Apesar disso, o advogado-geral da União, André Mendonça, que é pastor evangélico, defendeu a reabertura das igrejas em nome da liberdade de religião.

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AO SE ALIAR AO BOLSONARISMO, CRISTÃOS COLOCARAM EM XEQUE SEUS VALORES. Por Leonardo Boff

Superar o apagão ético e fortalecer a profecia

Nesta segunda-feira, 28 de junho, ocorreu um pronunciamento oficial do ministro das Minas e Energia o almirante Bento Albuquerque na TV. Com pouca expressão pública (passou a maior parte da vida em submarinos), o ministro apareceu na TV para anunciar, como diz a antiga piada popular, que “o gato subiu no telhado”.

O Brasil está prestes a reviver os anos 1990, dos governos Fernando Henrique Cardoso, dos apagões de energia elétrica e todos os transtornos e consequências que eles causam. Além disso, já está definido pela agência governamental de energia que a população terá que pagar contas de luz mais caras devido à “crise hídrica” (o baixo nível de água que move as hidrelétricas, por conta de falta de chuvas).

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FILME “O REBANHO” MOSTRA O FANATISMO RELIGIOSO E O SEXISMO EM SUA TRAMA

Diretora faz uma investigação sobre o jugo sexista a partir de uma seita que perambula pelos EUA reunindo mulheres (Reprodução)

Com dois longas inéditos e já finalizados (All Inclusive e Infinite Storm), a polonesa Malgorzata Szumowska, de 48 anos, é hoje uma usina de produção – e de reflexão sobre o empoderamento feminino – no cinema europeu, emendando dois filmes por ano sempre no rastro das violências institucionalizadas e do abandono. Conhecida aqui por O Rosto (Grande Prêmio do Júri na Berlinale de 2018) e Body (melhor direção também em Berlim, em 2015), a cineasta combina seus dois temas autorais em O Rebanho (The Other Lamb), que chega ao Brasil no streaming via iTunes / Apple TV, Google Play, Now, Vivo Play e Sky Play.

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UM ESPECTRO AMEAÇA O BRASIL: A PENTECOSTALIZAÇÃO

Estamos a um passo para a semiteocracia evangélica-pentecostal (Marcos Corrêa/PR)

Por Élio Gasda*

Laicidade e Estado de Direito são construções da modernidade. Um Estado é considerado laico quando promove oficialmente a separação entre Direito e Religião. A neutralidade do Estado em termos religiosos se estende ao sistema de justiça. O respeito à pluralidade das religiões impede que uma doutrina moral se imponha sobre toda a sociedade civil. Esse é o ideal de toda nação civilizada e pacífica.

Tornar real, no Brasil, esse projeto de modernidade é uma batalha diária. A presença da religião tem sido nociva desde a colonização, apesar da laicidade ser princípio constitucional desde 1891, reiterado na Carta Magna de 1988. Porém, com a chegada de Bolsonaro ao governo, o Estado vem privilegiando os setores evangélico-pentecostais.

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A RELIGIÃO DO MEDO: “DÃO MAIS VALOR AO DIABO QUE A DEUS”

Coppo di Marcovaldo (atribuição), Inferno, mosaico, 1250-70. Batistério de São João, Florença, Itália.

A RELIGIÃO DO MEDO

Muitos cristãos foram educados na religião do medo. Medo do inferno, das chamas eternas, das artimanhas do demônio. E quando o medo se apodera de nós, adverte Freud, transforma-se em fobia. Recurso sempre utilizado por instituições autocráticas que procuram impor seus dogmas a ferro e fogo, de modo a induzir as pessoas a trocar a liberdade pela segurança.

Frei Betto

Quando se abre mão da liberdade, demite-se a consciência crítica, omite-se perante os desmandos do poder, acovarda-se agasalhado pelo nicho de uma suposta proteção superior. Foi assim na Igreja da Inquisição, na ditadura estalinista, no regime nazista. É assim a xenofobia ianque, o terrorismo islâmico e os segmentos religiosos que dão mais valor ao diabo que a Deus, e prometem livrar os fiéis de males através da vulgarização de exorcismos, curas milagrosas e outras panaceias para enganar os incautos.

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EM NOME DE DEUS? QUAL DEUS?

Padre Robson, pastor Everaldo e deputada Flordelis (Reprodução)

Nas últimas semanas os noticiários apresentaram matérias que demostram a instrumentalização do nome de Deus, do cristianismo e da fé.

Por Élio Gasda*

Professar uma religião ou pronunciar o nome de Deus não forma caráter. Contudo, a ingenuidade do rebanho é mais assustadora do que a má intenção do pastor. Ninguém está conseguindo ridiculariza o cristianismo mais do que muitos cristãos. Nas últimas semanas os noticiários apresentaram matérias que demostram a instrumentalização do nome de Deus, do cristianismo e da fé.

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