TERCEIRA VIA É MIOPIA. Por Ricardo Semler

O empresário brasileiro Ricardo Semler ( Brasil 247)

A ideia de aproveitar caras novas num setor sórdido nunca deu certo

Vez ou outra, eu dava um pulo no centrão de São Paulo para botar a prosa em dia com o Antônio Ermírio de Moraes. Saíamos para andar do jeitinho que ele gostava, de braços dados. Ele contava que a pior experiência da sua vida tinha sido se candidatar ao governo do estado. E dizia: “Não sei ser freira em bordel”.

A ideia de aproveitar caras novas para insuflar ar fresco num setor sórdido não é nova. E nunca deu certo. Acelera-se agora a corrida por um salvador da pátria, alguém que evite essa “escolha perversa”. Serve o Luciano Huck, mas serve também o Danilo Gentili —em breve, o Felipe Neto.

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A LUCIDEZ DE UM HOMEM DA ELITE

Postado por Valentin Ferreira

Ricardo Semler, sócio-fundador das escolas Lumiar e da holding de investimentos Semco Partners, sempre foi um empresário considerado um ponto fora da curva. Ideias e ideais à frente do seu tempo. Autor de livros como “Virando a própria Mesa”, editora Rocco, entre outros, surpreende mais uma vez, não só pela sua opção de voto, mas pela lucidez da análise hoje na Folha  S.Paulo, que reproduzo abaixo.

Alô, companheiros de elite 

Não vamos deixar o pavor instruir nossas escolhas

Na Fiesp, quando eu tinha 27 anos e era vice do Mario Amato, convidávamos outsiders para uma conversa no bar. Chamei o FHC, que estava na mídia com a pecha de maconheiro. Chamamos os 112 presidentes de sindicato, vieram 8. Ninguém topava falar com “comunista”. Alguns anos depois, fui ao Roda Viva para alertar contra a eleição do Collor, queridinho passional das elites.

Recentemente, realcei que a ida das elites à Paulista para derrubar a Dilma equivalia a “eleger” o Temer e seus 40 amigos. Ninguém da elite quis ir às ruas para pedir antecipação de eleições. Erraram feio, como no passado, ou como quando deram as chaves da cidade ao Doria. Quanta ingenuidade.

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