OS ENDIVIDADOS

Postado por Valentin Ferreira

Segundo Negri e Hardt, vivemos um momento de transição nas formas de exploração capitalista: de uma ordem baseada na hegemonia do lucro (pela exploração do trabalho industrial), transitamos para uma ordem dominada pela renda, em que a dívida é um elemento central para produzir a subordinação e construir os elos de uma nova servidão.

Sessenta e três milhões e seiscentos mil brasileiras e brasileiros deixaram de pagar contas que deviam e tornaram-se “ficha suja” nos serviços de proteção ao crédito.1 Esses inadimplentes são nada menos que 42% da população adulta do país. Mas não nos esqueçamos de que a questão das dívidas é maior: elas pesam não apenas sobre esses inadimplentes, mas também sobre todos aqueles que conseguem manter em dia o pagamento de suas dívidas com grandes dificuldades, mediante esforços e sacrifícios cada vez maiores.

O crescimento da inadimplência é geral, ocorre em todo o país, com destaque para a região Sudeste, que em junho acusou aumento de 9,88%, se comparado com o mesmo mês do ano anterior. Essa tendência de crescimento dos inadimplentes vem se expressando desde outubro de 2017.

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OS SENTIMENTOS COMANDAM

Postado por Valentin Ferreira

Do  Le Monde Diplomatique Brasil

A servidão voluntária pode ser compreendida como um ato de submissão, um reconhecimento da superioridade do outro, a quem se deve obediência. A servidão voluntária é uma construção simbólica que destitui todo cidadão e cidadã de sua humanidade, de seus direitos, de sua autonomia.

Explorando medo e descontentamento, as elites criam uma agenda cujo centro da discussão é a violência, a corrupção e o crime. Essa agenda tem um duplo sentido. Ela cria uma percepção de que estamos todos ameaçados, é intimidatória, dissemina o medo. E tem uma função estratégica, de definir os temas do debate público. Não se fala de enfrentar a desigualdade, reduzir os juros bancários, cobrar impostos dos ricos. Se fala da luta da policia contra os bandidos.

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