“OS ELEITORES DE BOLSONARO E TRUMP SÃO MOTIVADOS POR PAIXÕES TRISTES”, afirma sociólogo François Dubet

IMAGEM: Carta Capítal

Publicado originalmente por Unisinos

De onde vem o ódio social? Por que cresce, quando explode e como pode ser detido? Não são perguntas novas, mas certamente aparecem como um sinal de época. 

Para o sociólogo François Dubet, ex-diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, o fenômeno não pode deixar de ser lido sem levar em conta a crise das instituições, mas também deve ser entendido relacionado ao crescimento da desigualdade. Estamos diante de “O tempo das paixões tristes”. É assim que chama os tempos atuais e este é o título de seu último livro, onde esmiúça um tema que conhece bem, em uma conjuntura que – embora ainda não estivesse atravessado pela pandemia – parece antecipá-la, com um diagnóstico bastante preocupante sobre os possíveis desdobramentos sociais que enfrentaremos.

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SE O PAPA ACHA MELHOR ATEU QUE HIPÓCRITA

Postado por Valentin Ferreira

Algumas expressões fortes do Papa Francisco na audiência geral da última quarta-feira deram origem a uma audaciosa comparação entre “cristãos hipócritas” e “ateus”. Na realidade, o Papa insistiu sobretudo na incoerência daquele que “frequenta a igreja … e depois vive odiando os outros”. É para ele que seria “melhor não ir à igreja: viver assim, como se fosse um ateu! ”

A ênfase da exortação papal não recai tanto no comportamento mais ou menos correto daqueles que se professam ateus e sua comparação com a coerência de vida dos crentes, mas sim sobre a intolerável hipocrisia religiosa de quem é “capaz de tecer orações ateias, sem Deus”. E que fique bem entendido o Papa está dizendo: há quem reza sem se sentir diante de Deus, sem escutar Deus, sem ser verdadeiramente tocado pela presença e pela voz de Deus.

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O MUNDO DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

Postado por Valentin Ferreira

Nas mãos e linhas que vão tecendo o casaco, as meias, o cachecol. Nos cheiros de queijos, salames, linguiças, biscoitos, cucas e pães que aguçam o paladar. Nas frutas diversas e nas bancas de vinhos, cervejas e cachaças artesanais. O mundo da economia popular solidária se encontrou em Santa Maria (RS) para a festa justa e de cooperativismo, de 13 a 15 de julho.

Com informações de Irmã Osnilda Lima com a colaboração de Henrique Alonso – Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira. A reportagem foi publicada porCNBB, 18-07-2018.

Uma programação intensa com rodas de conversas, debates, seminários e reuniões. Trata-se da 25ª Feira Internacional de Economia Solidária (Feicoop), do 3º Fórum de Economia Solidária e 3ª Feira Mundial de Economia Solidária. O evento reuniu representantes de diversos países. Os povos indígenas apresentaram sua cultura, sua arte. Os povos quilombolas e comunidades tradicionais também compartilharam seus saberes. Muitas pessoas circularam pelos corredores, conversaram, trocaram experiências, comercializaram e adquiriram produtos.

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DISCURSO DO ESTADO MÍNIMO INEBRIA O ENFRENTAMENTO DAS DESIGUALDADES

Postado por Valentin Ferreira

Schweig:  “Vemos muitas empresas que recebem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento – BNDES, por exemplo, mas que retorno dão para a sociedade?” (Foto: João Vitor Santos/IHU)

No Brasil de hoje, a ideia de privatizações voltou a habitar o imaginário sob o argumento de que o Estado mínimo é muito mais eficiente e que deve se preocupar com as ditas atividades essenciais, como saúde, educação e segurança. Esse é o argumento que na década de 1990 trouxe uma onda de privatizações e que, agora, vem sendo reeditada com o nome de “concessões públicas”. São casos como o de aeroportos e as ameaças às grandes estatais, como a Petrobras. Assim, essa nova onda liberal se anuncia como via para enfrentar crises econômicas. Mas será capaz de encarar o problema das desigualdades, muito além das econômicas? Para o economista e professor da Unisinos Márcio Eloir Schweig, talvez não. Ele baseia seus argumentos na leitura que faz da obra do economista britânico Anthony B. AtkinsonDesigualdade. O que pode ser feito? (São Paulo: LeYa, 2015). “O autor faz propostas para enfrentar as desigualdades e percebemos que suas sugestões, na realidade do Brasil, … Continue Lendo

OFERTA DE EMPREGO: SALÁRIO R$ 180,00 POR MÊS?

Postado por Valentin Ferreira / do iuh.unisinos

Empresa faz anúncio de emprego oferecendo salário de R$180 por mês para empregados sem esperar entrada da reforma trabalhista em vigor dia 11/11.

A reportagem é de Victoria Santello, publicada por Esquerda Diário, 26-10-2017.

Mal a reforma trabalhista foi aprovada e os empresários, com sede de lucro, já estão colocando-as em vigor. A rede de franquias Sá Cavalcante (dos restaurantes Bob’s, Spoleto, Balada Mix e Choe’s Oriental Gourmet) está oferecendo vagas em restaurantes, comuns em shopping, com salário de R$4,45 por hora, com carga mínima de 5 horas de trabalho aos sábados e domingos (dias de maior movimento nos shoppings).

A propaganda da empresa apresenta a vaga como uma grande oportunidade de emprego, porém sabemos que a realidade de trabalhadores de restaurantes de shopping não é bem essa. As funções desempenhadas pelo novo funcionário serão: limpeza do ambiente, utensílios e equipamentos; pré-preparo de alimentos; manter refeições, sobremesas e bebidas; além de atender os clientes. Tudo isso por cerca de R$180 por mês, o que não dá nem para pagar o transporte até o trabalho.

Fonte e matéria completa:Aqui

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CRUELDADE SOCIAL COMO POLÍTICA DE ESTADO: CORTES DO BOLSA FAMÍLIA

Postado por Valentin Ferreira  /do IHI-Unisinos

Tínhamos saído, pelos critérios da ONU, do mapa da fome, e, vergonhosamente, para lá voltamos a passos largos. A chamada elite que fez o golpe e seu governo coloca em prática políticas de Estado destrutivas de direitos elementares, e para dizer o mínimo, irresponsável, mas, sobretudo, cruel, escreve Walquiria Domingues Leão Rego, professora titular de Teoria Social no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e autora do livro Vozes do Bolsa Família – Autonomia, Dinheiro e Cidadania (Ed Unesp, 2013), em artigo publicado por GGN, 16-08-2017.

Eis o artigo.

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