SOBRE A NOTA DO MINISTÉRIO DA DEFESA

Por MANUEL DOMINGOS NETO*

Desde a última ditadura, a representação política viveu intimidada pelos militares

Em 1979, acatou uma anistia que preservou praticantes do terrorismo de Estado que atentaram contra a humanidade. Na Constituinte de 1988, através do Artigo 142, reconheceu os superpoderes das corporações armadas. O Ministério da Defesa, organismo essencialmente político, foi entregue ao desígnio do militar. Os negócios da Defesa foram simploriamente assimilados como assuntos militares. Com uma tuitada um general condicionou as últimas eleições presidenciais. Com o país em profunda crise multidimensional, a representação política admitiu que Bolsonaro concedesse privilégios a perder de vista à “família militar”.

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DOCUMENTO MOSTRA “EXTRA” DE US$ 5 POR DOSE DE VACINA INDIANA

Por Fernando Brito / Em seu Blog

Complicaram-se ainda mais as suspeitas sobre a compra da Covaxin, a vacina indiana que está no centro da denúncia de que Jair Bolsonaro silenciou e prevaricou diante dos indícios de corrupção em sua operação de compra bilionária.

O Estadão publica, na edição de hoje, a reprodução – veja acima – de uma “Memória de Reunião” entre o coronel Élcio Franco, braço direito do general Eduardo Pazuelo e de outros dirigentes do Ministério da Saúde à época, com executivos da Bharat Biotech e da intermediária Precisa Medicamentos, onde se registra, expressamente, que a vacina (comprada em fevereiro a US$ 15) era oferecida por dois terços deste preço – US$ 10 – e podendo ainda, “em razão de eventual aquisição de montante elevado de doses, (…) poderia vir a ser reduzido e estaria aberto à negociação”.

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A DURADOURA E LIVRE SABOTAGEM A VACINAS NÃO VEIO (SÓ) DO NEGACIONISMO

Por Janio de Freitas

É bandidagem muito lucrativa, para a qual o autoritarismo e a intimidação servem, além do que lhes é próprio, de instrumento múltiplo

Por trás dos milhões de mortes, o desespero brasileiro pelas vacinas sabotadas. Por trás das duas imposições trágicas, uma fortíssima ação quadrilheira a causá-las e explorá-las. Jair Bolsonaro está em fuga, como o Lázaro nas matas de Goiás. Com a diferença de que centenas de policiais caçam um serial killer, e o outro tem a Polícia Federal sob controle e a favor também dos comparsas.

Aconteciam coisas nos três dias anteriores ao vazamento do tumor lancetado pelos irmãos Miranda. Atitudes disfarçadas, fora de sintonia com as circunstâncias e, no entanto, sugestivas de serem assim por intenção. Nenhuma resposta do vice Hamilton Mourão a Roberto D’Ávila, por exemplo, dispensou uma mensagem inexplícita, mas inequívoca. O homem calmo, “de direita em economia”, mas “não na vida em geral”, ao lado de Bolsonaro por lealdade. E “se o substituir” —o restante nem importa.

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