BOAVENTURA: OS TRÊS CAVALEIROS NA NOVA PESTE

Por Boaventura de Souza Santos/Outras Palavras

É hoje consensual que a atual pandemia vai ficar conosco muito tempo. Vamos entrar num período de pandemia intermitente, cujas características precisas ainda estão por definir. O jogo entre o nosso sistema imunitário e as mutações do vírus não tem regras muito claras. Teremos de viver com a insegurança, por mais dramáticos que sejam os avanços das ciências bio-médicas contemporâneas. Sabemos poucas coisas com alguma certeza.

Sabemos que a recorrência de pandemias está relacionada com o modelo de desenvolvimento e de consumo dominantes, com as mudanças climáticas que lhe estão associadas, com a contaminação dos mares e dos rios e com o desmatamento das florestas. Sabemos que a fase aguda desta pandemia (possibilidade de contaminação grave) só terminará quando entre 60% e 70% da população mundial estiver imunizada.

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A REVOLTA DA VACINA

Por CARLOS EDUARDO ARAÚJO*

Uma vez como tragédia, a outra como farsa.

“Semana maldita, some-te, mergulha no grande abismo insondável do tempo, onde há esquecimento para tudo” (Olavo Bilac).

Tenho como propósito, neste texto, estabelecer um paralelo entre a Revolta da Vacina, na sua versão histórica e trágica, ocorrida em novembro de 1904, durante o governo do presidente Rodrigues Alves e a “revolta da vacina”, em sua variante farsesca, que vem ocorrendo hodiernamente, por várias capitais do país, arregimentada pelo bolsonarismo, nestes tempos sombrios da presidência de Jair M. Bolsonaro.

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