CORTINA DE SANGUE NO RIO

É assustador que parcela numerosa da sociedade aplauda a explosão de brutalidade

Por Cristina Serra

Na linguagem miliciana, foram 28 CPFs cancelados. Wilson Witzel já prometera atirar na “cabecinha”. Seu substituto deve ter achado pouco. Menos de uma semana após assumir definitivamente o cargo, Cláudio Castro disse a que veio. Sob sua autoridade, uma operação policial resultou no maior banho de sangue já visto no Rio de Janeiro.

O estado tem histórico tenebroso de chacinas impunes, tanto aquelas produzidas por grupos de extermínio formados por policiais como as que decorrem de ações oficiais, supostamente para combater o tráfico, como agora na favela do Jacarezinho, com 27 civis e um policial mortos.

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“VIDAS NEGRAS IMPORTAM. LÁ FORA, NÃO NO BRASIL”

DOCUMENTÁRIO “SEM DESCANSO”, DE BERNARD ATTAL. IMAGEM: DIVULGAÇÃO

Por Rodrigo Martins / Carta Capital

Geovane Mascarenhas Santana, de 22 anos, foi visto pela última vez em 2 de agosto de 2014, durante uma abordagem policial no subúrbio de Salvador. Uma câmera de segurança registrou o momento em que o jovem, conduzindo uma moto, foi parado e agredido por agentes das Rondas Especiais da Polícia Militar da Bahia. Depois de ser levado pela viatura, o rapaz desapareceu.

urandy Santana passou 13 dias procurando pistas sobre a localização do filho, até a Polícia Científica concluir a identificação de um corpo decapitado e carbonizado encontrado dias antes, em dois bairros distintos da capital baiana: a cabeça em Campinas de Pirajá e o tronco no Parque São Bartolomeu. Era Geovane. (Veja o trailer, abaixo)

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A MORTE ALEM DA COR

Imagens: Google

OUSAR RESPIRAR

Por Saul Lebron/Carta Maior

As ruas estão dizendo ‘eu não consigo respirar’ sob o joelho asfixiante da desordem neoliberal.

Desde 2008, quando o sistema entrou em colapso e dobrou a aposta no veneno para subsistir, o joelho tornou-se ainda mais esmagador.

A engrenagem estéril que reproduz dinheiro na ciranda financeira, sem gerar empregos, bem-estar, nem riqueza social, ajustou os parafusos do maquinismo de extração do suor dos trabalhadores dando voltas seguidas na rosca do garrote.

Menos direitos, mais precariedade, zero de estabilidade no presente, nenhuma garantia de futuro.

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JOÃO PEDRO, MAIS UM JOVEM- NEGRO-ASSASSINADO

Por  Júlia Warken

Na tarde da última segunda-feira (18), a vida de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi brutalmente interrompida. Enquanto estava na casa dos primos, ele foi morto por policiais que participavam de uma ação das polícias Federal e Civil e que contava também com o apoio da Polícia Militar. O caso aconteceu no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Seis adolescentes estavam reunidos quando os policiais invadiram a casa. João Pedro foi atingido na barriga e outros diversos tiros foram disparados, como mostram as fotos das paredes da casa. O menino foi levado de helicóptero e nenhum familiar pôde acompanha-lo. A família também não foi informada sobre o destino de João e precisou procurar por 17 horas, até encontra-lo no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo.

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A CULTURA DO EXTERMÍNIO NO RIO

Postado por Blog do ValentinOitenta tiros: a execução de um músico pelo Exército nacional virou símbolo da violência das forças de segurança no Rio

Indicadores apontam recorde nas mortes por intervenção policial em 2019. A execução sumária, segundo especialistas, é tolerada quase como uma política de segurança pública no estado. E parte da sociedade parece apoiar.

Os nove acusados pelos 80 disparos que levaram à morte o músico Evaldo Rosa e o catador Luciano Macedo no Rio de Janeiro, em abril, alegaram ter confundido o carro que levava as vítimas, em depoimentos prestados à Justiça Militar. Mais cedo, um veículo do mesmo modelo teria trocado tiros com os agentes do Exército. O argumento dos militares explicita a lógica operacional que se instaurou no estado com a maior letalidade policial do país. Atirar, avaliam especialistas, deixou de ser a última opção para virar regra.

“Vai ser difícil olhar para o rosto da minha filha e me lembrar de tudo. Não sei nem o que vou falar quando ela perguntar quem é o pai dela”, desabafa Dayana Horrara da Silva, viúva do catador Luciano Macedo, em vídeo divulgado pela ONG Rio de Paz.

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COMO AFASTAR NOSSOS JOVENS DO CRIME?, Por Claudio Ferraz

Postado por Valentin Ferreira

Por Claudio Ferraz / Nexojornal

Estudos quantitativos feitos nos EUA – e também no Brasil – mostram efeitos positivos de investimentos em educação e na criação de oportunidades no mercado de trabalho como instrumento de combate à violência

O Brasil teve em 2017 o maior número de mortes violentas do mundo – foram cerca de 60 mil pessoas assassinadas. Morreu mais gente violentamente no Brasil do que em muitas das guerras civis que ocorreram na última década. Grande parte das vítimas são jovens, homens, negros e moradores de bairros pobres. Metade das mortes de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil hoje é causada por assassinatos. O custo econômico e social dessa tragédia é exorbitante, como mostra o trabalho dos economistas Daniel Cerqueira e Rodrigo Soares.

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